ANIVERSARIANTES DA SEMANA   

09-José Afonso (E. Sátiro)

10-Neusa de Moura

12-Edvando Bonifácio (Dc. R. do Sol)

14-Mª Teodória

15-Mª Eliane

Reuniões administrativas final de ano

13/12 – Reunião do Conselho Eclesiástico;

21/12 – Confecção Calendário 2019;

23/12 (M) - Assembleia da Igreja (homologação diretorias, recepção membros e separação para o oficialato )  

 

JANTAR DE CONFRATERNIZAÇÃO: o nosso jantar de confraternização será no dia 31/12, logo após o culto de final de ano. O culto será no horário das 21 às 23h, seguindo-se o jantar, que será no estilo americano. O Pb. Evandro José será o coordenador desse evento.

Tamanho da letra:

A SOBERANIA DE DEUS E A ORAÇÃO

 

Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Jó 42.2

 

Muitas coisas podem ser faladas a respeito da oração, sobre diversos pontos de vistas e perspectivas bíblicas. Neste breve artigo eu gostaria de falar da oração sob a perspectiva da soberania de Deus.

 

Talvez você já deva ter ouvido alguém afirmar que Deus precisa de você ou que Ele não pode fazer certas coisas sem você. Alguém já disse que este tipo de afirmação se dá com o intuito de promover uma maior dedicação do povo para a oração, evangelismo, ajuda a igreja, beneficência ou qualquer atividade cristã que seja realizada por nós.

 

Muitas vezes isto é falado nas melhores das intenções sem nem mesmo julgarmos as implicações do que é dito. Porém esta afirmação é falsa e contraria o nosso conceito de Deus revelado nas Escrituras. Isto por si só justificaria o fato de não usarmos este tipo de afirmação.

 

Em atos, o Apóstolo Paulo declara que “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas, Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais.” Atos 17.24-25

 

Perceba que Deus não é servido por mãos humanas, isto é, não depende da ajuda humana ou ação de alguém como se necessitasse (precisasse) de mais alguma coisa ou alguém além de Si mesmo. Pelo contrário Paulo não só diz que ele não precisa de ninguém como diz que é exatamente o contrário, pois Ele dá vida, respiração e todas as demais coisas aos homens.

 

A declaração acima está diametralmente oposta ao que diz Paulo neste texto de Atos.

 

Precisamos entender que Deus é auto-suficiente em Si mesmo e realiza tudo conforme o seu querer, pois quem nós somos para acreditarmos o contrário ou condicionar seus planos as nossas orações?

 

Pensar em um Deus dependente é pensar em um Deus finito que não é o Deus da bíblia.

 

A bíblia fala muito de oração, e nela Deus expressa seu desejo que seu povo ore, não só desejo, como ordena orar, portanto é pecado negligenciá-la. Porém, de maneira alguma a nossa negligência na oração atrapalhará os planos de Deus. Na verdade, Deus não precisa das nossas orações. Deus não está condicionado a ninguém e muito menos a pecadores desobedientes.

 

O nosso Deus possui soberania irrestrita. Ele determina todas as coisas e a sua onipotência concretiza-as. O que precisamos entender é que Ele prefere usar meios para atingir os seus fins, e muitas vezes seus meios envolvem as nossas orações. Agora, bem que se diga, antes que alguém grite, ‘e se os meios falharem?’ Eu respondo que os meios não são autônomos, mas são em si mesmos determinados por Sua soberania, como disse certo teólogo, de modo que nada na criação escapa da sua atenção e de seu controle.

 

Em palavras mais didáticas, Ele determina os fins como os meios, isto é, tanto um como o outro, são como devem ser, ou como Ele quis que fossem.

 

Isto quer dizer que a oração não muda as coisas, ela simplesmente faz parte das coisas que Deus determinou.

 

Isto pode parecer confuso para aqueles que não têm intimidade com o conceito da soberania de Deus, mas não é. As coisas mudam aos nossos olhos, porque nós não sabemos como elas estão determinadas, mas na verdade, Deus é quem ‘muda’ as coisas conforme já estabelecido em seu decreto eterno.

 

Temos diversos textos que apresentam as coisas por nossa ótica humana, vale salientar ainda, que não conhecemos o decreto de Deus, e, portanto, aquilo que Deus determinou, nos parece mutável. Porém em Deus é invariável, pois segue o curso do seu decreto eterno. Ela é imutável, isto é, não muda nunca, assim como Deus é.

 

Então, eu não vou parar para explicar todos os textos que aparentemente mostram que Deus mudou, na verdade a mudança ocorreu de acordo com o nosso escopo limitado das coisas, isto é, na ótica humana de tempo e espaço, e não no decreto divino.

 

Exemplo: Eu estava doente e orei, Deus curou. Houve uma mudança de doente para curado após a oração, porém, Deus determinou tanto a cura como a oração pela cura. Não tinha como não orar pela cura e ser curado ou orar e não ser curado, porque tanto uma coisa como outra, Deus decretou. No entanto, na visão humana as coisas acontecem temporalmente e em seqüência, logo, a minha cura é um efeito da minha oração como se Deus tivesse mudado o curso das coisas para responder-me a oração.

 

Não se assuste quando você encontrar textos dizendo que Deus ‘arrependeu-se’, e, outros dizendo que ‘Ele não é filho do homem para que se arrependa’. Embora seja a mesma nomenclatura, são duas coisas distintas, com óticas diferentes. Figuras de linguagem esta em toda a bíblia, também aquilo que os teólogos chamam de antropopatismo e antropomorfismo é algo bastante comum na bíblia.

 

Voltando a questão do exemplo acima podemos averiguar algo parecido na bíblia. Na doença do rei Ezequias, o profeta foi até ele e o sentenciou a morte, porém, ele orou e Deus concedeu-lhe mais 15 anos de vida. Se falarmos da perspectiva divina e de seu decreto eterno, tanto a oração de Ezequias, quanto o acréscimo de 15 anos já estavam determinados por Deus para serem assim. Deus usou um meio para que a oração ocorresse, a sentença de morte dada pelo profeta fez com que a oração acontecesse e a cura se estabelecesse. Isto mostra que, embora as coisas pareçam acontecer naturalmente, elas cumprem os desígnios de Deus. Deus já havia determinado os 15 anos ‘a mais’ para Ezequias. O próprio profeta foi um meio determinado por Deus para levar Ezequias a orar, mas não só isso, a própria oração é um meio para que ele soubesse que Deus concederia mais 15 anos a sua vida. Na visão humana ele iria morrer e Deus lhe daria mais 15 anos, pela perspectiva divina ele viveria o tempo que Deus determinou “Visto que os seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles.” Jó 14:5

 

Então, aquilo que parece uma resposta de oração, ou que parece uma mudança dos desígnios de Deus, na verdade, é algo muito mais certo e preciso do que poderíamos imaginar.

 

O que estamos dizendo com tudo isto é que a oração não causa o agir de Deus, mas o agir de Deus causa a oração. É o agir Dele sobre tua vida que causa a oração e a resposta da mesma, pois como diz as Escrituras “Nele vivemos, e nos movemos, e existimos”.  Não existe nada a parte Dele.

 

Sobre a oração, já foi dito que ela não muda a vontade de Deus. A visão bíblica é que ela é um dos meios pelo qual Deus nos concede o que desejamos, desde os bens materiais, físicos e psíquicos, até a saúde espiritual, pois também a oração é um meio para desenvolver a nossa santificação.

 

Se você prestar atenção no que falamos, perceberá algo muito sério, pois isto quer dizer que se não estamos orando ‘a coisa pode esta feia’ para o nosso lado.

Em outras palavras, se não estamos orando é porque Deus determinou em não nos conceder certas coisas ou privar delas. A falta de oração mostra uma situação muito mais penosa do que uma simples negligência pecaminosa, pois ela já demonstra que os resultados que virão na frente podem não corresponder as nossas expectativas.

 

Esta conclusão deveria deixar temeroso todos que negligenciam a oração, porque coisa boa não se pode esperar, seja nos bens materiais ou no crescimento espiritual, com a falta de oração. A falta de oração demonstra a princípio que tanto os bens materiais que Deus concede quanto o crescimento espiritual estão em iminente bancarrota, isto mesmo, a nossa vida poderá ser ou esta sendo levada a muitas frustrações, desesperos, e impotência diante das adversidades da vida.

 

Antes que alguém pense o contrário do que eu estou dizendo, não estou afirmando que Deus não traz benefícios a quem não ora, pois “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação”. O ímpio não ora e muitos crentes não oram e recebem dádivas de Deus, mas o que eu estou falando é que, por certo, muitos benefícios não serão concedidos a quem não ora, porque a oração de alguma forma é um termômetro do resultado futuro que Deus reservou em seu decreto para o nosso bem e proveito, tanto na questão da nossa santificação, quanto nas benesses materiais que do céu provém. Até mesmo este breve artigo pode ser um meio que Deus designou para te fazer orar e receber as benesses Dele, assim como o profeta provocou a oração do rei Ezequias.

 

Certo Teólogo disse que Deus fará coisas mesmo que nós não oremos, e que não fará coisas mesmo que nós oremos e que fará coisas apenas se orarmos. Se nesta última, ele tem em mente que a oração também expressa a vontade soberana, e não uma subordinação de Deus, eu a subscrevo inteiramente.

 

Finalizando o que estamos tratando, a oração está em perfeita harmonia com a soberania de Deus e qualquer visão distorcida poderá diminuir o nosso conhecimento de Deus e conseqüentemente o nosso relacionamento com Ele.

 

Precisamos não só falar e pensar que Deus é soberano, mas precisamos também orar tendo isto em mente. A oração é um meio que Deus determinou para que certos planos se cumpram, e não o contrário, determinando Deus a realizar certos planos.

 

Com isto queremos dizer que é Deus que tem o poder e não a oração, ela apenas cumpre Seus desígnios. Assim não só entenderemos porque sendo ‘Elias homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu. E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos.’ Como teremos a certeza de que através das nossas orações Deus opera maravilhas,  pois, não esteve em Elias, como não está em nós, o poder de realizar estas coisas.

Isto deveria desarmar qualquer tipo de incredulidade, pois Deus não só pode responder a nossa oração, Como Ele mesmo faz com que oremos para este fim.

 

Não pode haver espaço para incredulidade quando oramos. Até mesmo o fracasso na oração, isto é, a falta de resposta a oração pode ser uma forma de Deus nos corrigir em alguma área. Ela sempre tem um propósito no plano divino.

 

Outra coisa, é comum ouvirmos a proposição que diz que a “oração tem poder”. Esta declaração não deve induzir ao conceito de que ela tem poder em si mesma, mas devemos ter a consciência de que o poder esta em Deus. Se usarmos este jargão evangélico, é preciso não deixar ambigüidade, pois é Deus quem concede todas as coisas e não a oração. O poder pertence a Deus e não a oração.

Resumindo:

 

1 - Deus ordena orar, negligenciar a oração é pecado.

2 - Deus possui soberania absoluta e a oração não é autônoma, mas cumpre os desígnios de Deus.

3 - A oração não muda as coisas, ela, simplesmente, é um meio e faz parte das coisas que Deus determinou.

4 - A oração não causa o agir de Deus, mas o agir de Deus causa a oração.

5 – A oração é um dos meios pelo qual Deus concede o que desejamos, e também um meio para nossa santificação.

6 - A falta de oração mostra uma situação muito mais penosa do que uma simples negligência pecaminosa, Ela demonstra também uma possível falta de perspectivas de coisas boas vinda de Deus para o nosso bem e proveito.

7 – A oração deve ter sempre em mente a soberania divina, a tal ponto que o poder de mudar as coisas está, e esteve sempre em Deus e nunca nas nossas orações.

Orai sem cessar!

 

Pr. Walter Moura.