ANIVERSARIANTES DA SEMANA   

09-José Afonso (E. Sátiro)

10-Neusa de Moura

12-Edvando Bonifácio (Dc. R. do Sol)

14-Mª Teodória

15-Mª Eliane

Reuniões administrativas final de ano

13/12 – Reunião do Conselho Eclesiástico;

21/12 – Confecção Calendário 2019;

23/12 (M) - Assembleia da Igreja (homologação diretorias, recepção membros e separação para o oficialato )  

 

JANTAR DE CONFRATERNIZAÇÃO: o nosso jantar de confraternização será no dia 31/12, logo após o culto de final de ano. O culto será no horário das 21 às 23h, seguindo-se o jantar, que será no estilo americano. O Pb. Evandro José será o coordenador desse evento.

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A Teologia do Culto

 
Introdução
Este artigo está enfocando um tema de extrema importância na vida prática da Igreja que é o culto a Deus. O assunto é pertinente porque hoje mais do que em qualquer outra época o culto a Deus está perdendo as suas características conforme definidas nas Sagradas Escrituras. Há fogo estranho no arraial de Deus. Muitos do povo de Deus, seguindo as orientações de líderes que não conhecem a doutrina cristã, ou se as conhecem estão deliberadamente fugindo do padrão que o Altíssimo definiu para disciplinar o assunto, estão adorando a Deus de uma forma errada, de qualquer jeito e de qualquer maneira, onde o homem ocupa o lugar de Senhor e Deus o lugar de servo. Além disso, estão introduzindo muitas práticas estranhas para agradar ao adorador e não ao objeto da adoração que é o Deus Verdadeiro.
Neste artigo iremos abordar o assunto de forma introdutória enfocando a parte teológica da questão, partindo do geral para o particular, começando explicando o título do artigo. 
A palavra Teologia é uma palavra derivada de duas palavras gregas: Theos – Deus e Logos (logia) – estudo, tratado. Assim sendo, de uma forma simplificada, podemos conceituar Teologia como sendo o estudo acerca de Deus. “Comumente a Teologia se divide em Bíblica, Sistemática, Histórica, e Prática” (STRONG). Este artigo enfoca uma parte da Teologia Prática, que é o estudo das práticas do relacionamento do cristão com Deus; A palavra culto é de origem latina (cultus), e significa, dentre outras coisas, reverência, homenagem que se presta a uma divindade, ofício religioso; Teologia do Culto é, portanto, o estudo da maneira como se deve prestar o culto a Deus de uma forma que Lhe seja agradável.
I – Um Relance da Questão Cultual na História 
As manifestações cultuais estão em quase todas as culturas. O homem desde os tempos mais remotos sempre teve uma reverência por um ser superior a quem tem procurado agradar. É verdade que pela falta de conhecimento do verdadeiro Deus o homem tem se dobrado diante do sol, da lua, das estrelas, de estátuas, pinturas, totens reverenciando uma divindade qualquer, adorando a criatura no lugar do Criador. Na Bíblia nos é revelado esse aspecto religioso dos povos, por Paulo, em seu escrito aos Romanos. “Porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e o coração insensato deles obscureceu-se. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis” Rm 1.21,22. Paulo está aqui falando que, por causa do descaso do homem para com a revelação que Deus fez de si mesmo através da natureza (A Revelação Geral), tem-se cultuado de forma errada, servindo a criatura em vez do Criador. No discurso de Paulo no areópago, registrado em Atos 17, encontramos o apóstolo falando sobre o aspecto religioso dos gregos, que era a maior cultura da época, fazendo referência aos deuses que existiam nos seus locais de adoração. “... porque passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: Ao Deus Desconhecido...” At 17.22,23.
II - Identificando o Objeto do Culto (O Deus Triúno)
O objeto do culto é o Deus verdadeiro, revelado na natureza e nas Sagradas Escrituras. A Bíblia nos revela que só a Deus é devido o culto. “... Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele prestarás culto” Mt 4.10. Quando se fala em Deus deve-se pensar no Deus triúno, na Santíssima Trindade. As Sagradas Escrituras nos revelam que só existe um Deus verdadeiro (Dt 6.4; 1 Co 8.4; 1Tm 2.5;...) e que esse Deus subsiste em três pessoas da mesma essência e possuidoras dos mesmos atributos, o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mt 3.16,17; 28.19; Jo 14.16,17; 2 Co 13.13;...). Assim sendo, as três pessoas da Santíssima Trindade podem ser celebradas individualmente ou em conjunto e assim estamos adorando a Deus. Existe uma unidade tão perfeita na Deidade que adorando a uma pessoa as outras estão sendo adoradas também. Quando celebramos ao Pai estamos ao mesmo tempo celebrando ao Filho e ao Espírito Santo. A mesma coisa acontece quando tributamos hinos a Cristo, estamos também tributando hinos ao Pai e ao Espírito e quando celebramos ao Espírito estamos celebrando as outras duas pessoas da Trindade. Na hinologia Congregacional (Salmos e Hinos) temos alguns hinos que celebram as três pessoas da Trindade conjuntamente como, por exemplo, o hino de nº 29 que destina uma estrofe ao Pai (Eterno Pai, Teu povo congregado,...) outra ao Filho (Jesus, aos Teus benditos pés sentados,...) e outra ao Espírito Santo (Ensina aos Teus, Espírito divino,...). Não estamos adorando a três deuses e sim a um único Deus verdadeiro que subsiste em três pessoas. Considerando que Jesus é o Mediador entre Deus e os homens (Jo 14.6; 1 Tm 2.5; Hb 8.6;...) toda a adoração a Deus deve ser feita em Cristo (2 Co 5.17; Ef 1.13 ) e por Cristo (Ef 2.18; Hb 13.15; 1 Pe 2.5) para ser agradável ao Altíssimo.
III – Identificando os Verdadeiros Adoradores
Cultuar a Deus é uma obrigação de todo os seres humanos. Essa exigência divina no devido tempo será cobrada do homem. Paulo escrevendo aos Romanos nos revela que, pelo fato de Deus ter se revelado através da natureza, todo o homem é indesculpável diante Dele por não Lhe prestar o culto devido. “Porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e o coração insensato deles obscureceu-se. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos e trocaram a glória do Deus imortal por imagens feitas segundo a semelhança do homem mortal, bem como de pássaros, quadrúpedes e répteis” Rm 1.21-23. 
A adoração a Deus só se expressa de forma satisfatória por aquelas pessoas que foram alcançadas pela graça redentora de Cristo, isso tanto no Antigo como no Novo Testamento, tanto na antiga como também na nova dispensação. A Bíblia nos revela que os crentes em Cristo foram constituídos por Deus sacerdócio santo para celebrar ao Senhor neste mundo e na eternidade. “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido...” 1 Pe 2.9. (Veja ainda Ap 1.6; 5.10). “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo” 1 Pe 2.5. “Portanto ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” Hb 13.15. 
A Igreja é uma comunidade cultual. Dentre suas atribuições ministeriais a adoração a Deus vem em primeiro lugar, seguida da edificação espiritual dos crentes, da proclamação da obra redentora e depois, da beneficência.
IV – Identificando as Partes Constitutivas do culto
Observando a prática cultual do povo de Deus identificada nas Sagradas Escrituras, principalmente no Novo Testamento, constatamos que existem quatro partes básicas num culto tributado a Deus: A Oração, A leitura e exposição das Sagradas Escrituras, o Louvor e o ofertório.
1) A Oração – Quando estavam cultuando os servos do Senhor sempre elevavam as suas vozes a Deus em súplicas e orações. Assim foi com Ana que na tenda da Congregação orava a Deus pedindo um filho (1 Sm 1.9-19). Dizem-nos as Escrituras que a profetiza Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser, não se afastava do templo orando e jejuando ao Senhor (Lc 2.36-38). Diz-se da Igreja de Antioquia que os irmãos se reuniam para jejuar e orar ao Senhor (At 13.1-3). A Igreja de Jerusalém diz-nos Lucas, que ela perseverava em oração (At 2.41,42).
2) Leitura e Exposição das Sagradas Escrituras – As Escrituras devem ocupar lugar preponderante nos cultos celebrados pela Igreja. Sempre foi assim na história do povo de Deus. Nas festividades religiosas de Israel alguns livros das Escrituras eram lidos publicamente e outros lidos e explicados (Ne 8.1-12); nas Sinagogas as Escrituras eram lidas e explicadas ao povo (Lc 4.14-21); Nas reuniões da Igreja as Escrituras eram lidas e expostas segundo se extrai dos textos de At 6.1-4; 8.4; 13.44; 17.11;...
3) Louvor – A Bíblia diz que os crentes são sacerdotes reais (1 Pe 2.9; Ap 1.6; 5.10) e têm um ministério de louvor a exercer na Igreja. “Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.” 1 Pe 2.5. “Portanto ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, Isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” Hb 13.15. Um dos grandes momentos do culto é quando o povo uníssono louva ao Deus dos Céus com alegria e gratidão no coração. Encontramos na Bíblia dois episódios que mostram como é maravilhoso louvar ao Senhor. Um foi na época do rei Josafá quando a vitória sobre os inimigos do povo de Deus foi concedida no momento em que o povo celebrava ao Senhor (2 Cr 20.21-24) e o outro foi quando Paulo e Silas estavam aprisionados e, mesmo em circunstâncias difíceis, celebravam ao Senhor, advindo daí uma poderosa ação libertadora de Deus (At 16.25,26).
4) Ofertório – Faz parte do culto a Deus o ofertório. Nos cultos a Deus, ao longo do relato bíblico, encontramos sempre alguém oferecendo algo a Deus no momento em que cultuava. No primeiro culto que a Palavra de Deus nos apresenta encontramos Caim e Abel oferecendo a Deus algo: Caim, do fruto da terra e Abel, das primícias do seu rebanho (Gn 4.1-5). Após o dilúvio, a primeira coisa que o patriarca Noé fez ao descer da arca foi fazer um culto a Deus e nesse culto ofereceu sobre o altar animais e aves limpos (Gn 8.15-22). Os patriarcas bíblicos sempre quando cultuavam a Deus ofereciam algo ao Senhor. Abraão, um deles, entregou o seu dízimo ao sumo sacerdote Melquisedeque (Gn 14.18-20). No Novo Testamento as ofertas feitas na Igreja não eram mais de animais ou de aves, pois, aquelas oferendas simbolizavam o sacrifício de Cristo que já acontecera. No relato de Atos encontramos os irmãos cultuando a Deus através da oferta de suas propriedades para atendimento das necessidades da Igreja (At 4.32-35). Nesse relato é identificado o nome de Barnabé que doou a Igreja o valor correspondente a propriedade que vendera (At 4.36,37). Na segunda carta aos Coríntios Paulo fala sobre a contribuição para o atendimento das necessidades da Igreja especialmente a da beneficência (capítulos 8 e 9).
V – Identificando o Local Adequado do Culto
No antigo Testamento os servos de Deus cultuavam a Javé em lugares aleatórios, geralmente onde ocorria uma manifestação de Deus (Gn 12.6-8; 28.10-22,...). Com a construção do tabernáculo (templo portátil) o culto era realizado nele (Ex 40.17-38). Depois que Salomão em Jerusalém edificou o templo ali ficou sendo o local onde o Deus dos céus era adorado, através das festividades e dos sacrifícios, realizado pelo povo mediante o ofício de seus sacerdotes (1 Rs 9.1-3). Uma comunidade dissidente em Israel (os samaritanos) estabeleceu que o culto fosse realizado num monte em Samaria (Jo 4.20,21). No Evangelho de João o Senhor Jesus Cristo nos revelou que não existe um local específico estabelecido por Deus para se fazer o culto, e sim em qualquer lugar em que o Seu nome fosse celebrado em espírito e em verdade (Jo 4.21-24). No princípio a Igreja de Jerusalém se reunia numa área do templo de Jerusalém, chamada de alpendre de Salomão (At 2.46; 5.12,42) e também nas casas dos irmãos (At 5.42). No mundo gentílico a Igreja se reunia nas casas de seus membros (Rm 16.3-5,14,15). 
Um local específico (um templo), separado só para culto, como nós o conhecemos, começou a surgir com a suspensão das perseguições contra o Cristianismo, por Constantino, imperador romano. A religião cristã fora aceita pelo imperador, que facilitou a construção de santuários.
A luz da Bíblia, o local do culto não é tão relevante assim. O que faz o local do culto importante não são as suas instalações e sim a presença da Igreja nele, pois Deus habita na vida e no meio do seu povo. “... vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo” 2 Co 6.16.
Conclusão
Vimos neste artigo o que significa a teologia do culto. Vimos ainda um pouco da história do culto de uma forma geral. Vimos ainda que o Deus Triúno é o objeto do culto. Vimos também que só os redimidos é que tem condições de prestar o culto a Deus que Lhe seja agradável, por causa da mediação de Cristo, e que é um dever de todos celebrarem ao Senhor pelo que Ele é e pelo que Ele fez. Vimos ainda que o local em si não é tão relevante como se pensa e sim a presença da Igreja nele é que faz a diferença.
Estamos concluindo este artigo enfatizando a necessidade dos crentes em Cristo levarem a sério a questão cultual na Igreja, pois o culto é um dever de todos os homens especialmente do homem que foi alcançada com a graça redentora de nosso Senhor Jesus Cristo.
Pr. Eudes Lopes Cavalcanti