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O Futuro da Igreja

 
 
INTRODUÇÃO 
          No programa redentor de Deus através de nosso Senhor Jesus Cristo está definido todas as etapas da vida da Igreja. Nesse programa descobrimos que Deus livremente escolheu (eleição) todos aqueles que iriam fazer parte da Igreja. Depois Deus os predestinou para que essa eleição inexoravelmente acontecesse (predestinação). Em seguida Deus determinou que os escolhidos fossem chamados eficazmente no tempo da existência de cada um deles pela pregação do Evangelho (Chamada Eficaz). No ato dessa chamada eficaz O Senhor determinou que os eleitos fossem justificados pelos méritos de Cristo (Justificação). E por fim Deus determinou que a Igreja fosse revestida de glória celeste quando o Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo, viesse a segunda vez a este mundo. Esses estágios foram revelados por Deus através de Paulo em sua carta aos Romanos, capítulo 8, versículos 28 a 30.
 
I – A SEGUNDA VINDA DO SENHOR
          
       A Segunda Vinda do Senhor Jesus em glória é o grande momento do cumprimento das promessas de Deus no que se refere à glorificação e futuro eterno da Igreja. Os textos que tratam do revestimento de glória da Igreja estão intimamente ligados a esse grandioso evento, senão vejamos: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Ts. 4.16,17). “Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então, cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória” (1 Co. 15.51-54).  (Veja ainda Fp. 3.20,21).
        A partir desse glorioso momento, a Igreja do Senhor entrará num estado de glória celeste que perdurará por toda a eternidade. “... e assim estaremos sempre com o Senhor” (1 Ts. 4.17).
 
II – O ARREBATAMENTO DA IGREJA
          
       A Segunda Vinda do Senhor implica necessariamente no translado da Igreja para se encontrar com Ele nos céus atmosféricos (ares) devido à promessa de Jesus, registrada no Evangelho de João. “E, quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que, onde eu estiver, estejais vós também” (Jo. 14.3).
          No desdobramento do programa escatológico está previsto o traslado da Igreja para se encontrar com o Seu Senhor que estará descendo do Céu de Deus (terceiro Céu). (Veja 1 Ts. 4.13-17; 1 Co. 15.51-54; 2 Ts. 2.1). Esse glorioso acontecimento é figurado na parábola das dez virgens proferida por Jesus e registrada por Mateus (Mt. 25.1-13). “Mas, à meia-noite, ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro! Então, todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas... e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta” (Mt 25.6-10).
 
1.      A  Ressurreição dos Crentes Falecidos
 
        Ainda no desdobramento do programa escatológico, no que se refere ao Arrebatamento, está previsto que o corpo mortal dos crentes seja revestido de imortalidade. Esse revestimento será comum para os crentes falecidos bem como para os crentes que estiverem vivos no grande dia da Segunda Vinda do Senhor. Paulo fazendo apologia sobre a ressurreição dos salvos na sua carta aos Coríntios disse que convém, ou seja, que é necessário, que o que é mortal seja absorvido pela vida, se revista de imortalidade. “Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade” (1 Co. 15.53). O corpo ressurreto do crente será semelhante ao corpo ressurreto de Cristo, com as mesmas propriedades e virtudes. “Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Fp. 3.20,21). Esse corpo glorificado nos habilitará a viver nos Céus e também estará habilitado para gozar de toda a plenitude das bênçãos proporcionadas pelo Evangelho.
 
2. A Transformação dos Crentes Vivos
 
        Para os crentes que estiverem vivos por ocasião da Segunda Vinda do Senhor e o consequente arrebatamento da Igreja, a benção que os alcançará é a transformação do corpo mortal num corpo espiritual, pois assim ensinou Paulo pelo Espírito Santo quando tratou da ressurreição dos salvos. “E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial. E, agora, digo isto, irmãos: que carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem a corrupção herda a incorrupção. Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então, cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória” (1 Co. 15.49-54).
 
3.      O Encontro com o Senhor nos Ares
        
 Os crentes ressuscitados e os crentes transformados, todos com corpos glorificados, sem diferenciação entre um grupo e outro, a Igreja completa sem faltar um membro sequer será impulsionada pelo Espírito Santo para encontrar o Senhor Jesus nos ares. É o glorioso encontro da noiva com o seu noivo, para o grande banquete nupcial, as bodas do Cordeiro, profetizada em Apocalipse. “E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E disse-me: Estas são as verdadeiras palavras de Deus” (Ap. 19.9).
  
III – A HABITAÇÃO PERMANENTE DA IGREJA
        
       A Igreja habitará para sempre com o Senhor conforme revelado na Palavra de Deus. Paulo, na primeira carta de Tessalonicenses, disse que logo após o arrebatamento da Igreja estaremos para sempre com o Senhor. (1 Ts 4.17). Vejamos os itens que trazem mais luz sobre o assunto:
 
1.      O Céu, o Lugar da Habitação da Igreja
 
        A Bíblia diz que a Igreja estará para sempre com o Senhor, não se afastará dele. Onde o Senhor estiver a sua Igreja estará com Ele. É sabido que o habitat natural de Deus é o Céu. “Para ti, que habitas nos céus, levanto os meus olhos” (Sl. 123.1). Todas as visões que os servos de Deus tiveram sempre viram Deus nos Céus. “Mas ele, estando cheio do Espírito Santo e fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus e Jesus, que estava à direita de Deus, e disse: Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus” (At. 7.55,56). (Veja ainda 1 Rs. 22.19; Is. 6.1-3; Ap. 4.1-5), portanto, a Igreja estará nos Céus com Jesus.
        O Céu é na verdade um lugar, pois isso se confirma com a existência nele de seres humanos com corpos glorificados (lembre-se de Enoque e Elias que subiram aos Céus sem experimentar a morte) e lá estão com corpos glorificados. O próprio Senhor Jesus está no Céu com o corpo glorificado que ressuscitou dos mortos. “E, agora, digo isto, irmãos: que carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem a corrupção herda a incorrupção... Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade”  (1 Co. 15.50-53). (Veja Gn. 5.24; 2 Rs. 2.11; Mc. 16.19; At. 1.9).
 
2.      A Terra Restaurada, Outro Lugar de Habitação da Igreja?
 
A Bíblia diz ainda que os céus (atmosférico e estratosférico) e a terra sofrerão o impacto da ira de Deus sobre a impiedade do homem e serão destruídos pelo fogo quando da consumação de todas as coisas, e que em seu lugar Deus criará novos céus e nova terra, pois assim revelou o Espírito Santo pela instrumentalidade de Pedro: “Mas o Dia do Senhor virá como o ladrão de noite, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra e as obras que nela há se queimarão...Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça. (2 Pe 3.10-13). (Veja também 2 Pe 3.7; Ap 22.1).
Apesar da escassez de material bíblico sobre o assunto, pensamos que seria contraproducente Deus restaurar a terra e deixá-la vazia por toda a eternidade, visto que a mesma foi dada para morada dos filhos dos homens. “Os céus são os céus do Senhor; mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens” Sl 115.16. Assim sendo achamos que a terra restaurada também será a habitação da Igreja, pois a mesma estará capacitada com o corpo glorificado a transitar entre céus e terra sem dificuldade alguma. A dimensão espacial não será obstáculo mais para a Igreja, pois as propriedades do corpo glorificado a habilitará para vencer essa dimensão. Observe que Pedro disse no versículo acima que aguardamos novos céus e nova  terra em que habita a justiça. Se a terra restaurada é uma expectativa da Igreja e que nela haverá justiça presumimos que terá seres morais habitando nela.
 Sendo o Céu de Deus um lugar e a terra restaurada outro lugar, e que não haverá mais limite espacial para o corpo glorificado, onde o Senhor Jesus estiver ali estará consigo a sua amada esposa, a Igreja. O fato revelado com clareza nas Santas Escrituras é que depois do Arrebatamento estaremos para sempre com o Senhor (seja nos Céus ou na terra restaurada ou em ambos os lugares).
 
3.      O Estado dos Salvos nessa Habitação
    
Na Escatologia encontramos o seu último tema, o Estado Eterno. O céu é um lugar como visto no item anterior, mas é também um estado, ou seja, uma condição de gozo permanente. Isto quer dizer que além de habitar no Paraíso o salvo experimentará um estado de contínuo gozo e felicidade. Na parábola dos talentos o Senhor Jesus nos ensinou isso quando disse aos servos fiéis: “entra no gozo do teu senhor”. “E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mt. 25.21). O Senhor nos ensinou isso também na parábola do rico e Lázaro quando disse que o mendigo que estava no Paraíso estava sendo consolado enquanto o ímpio estava sendo atormentado. (Lc. 16.25).
 
4.      O Tempo da Habitação
 
Voltando para o texto de Paulo aos Tessalonicenses observamos que se diz que o tempo da habitação da Igreja nessa nova dimensão de vida é para sempre. Nesse tempo eterno não haverá mudança nem sombra de variação. É a consumação do programa de Deus para a humanidade. Essa é a herança dos santos na luz, viver para sempre com Jesus nos Céus. Lá, revelou o Espírito Santo no Apocalipse, não haverá dor, nem tristeza, nem pranto, pois tudo foi mudado por Deus e isso de um modo permanente. “... E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão. E verão o seu rosto, e na sua testa estará o seu nome. E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumia, e reinarão para todo o sempre.” (Ap. 22.1-5).
 
CONCLUSÃO
 
          Concluímos este artigo com grande alegria no coração tendo em vista a perspectiva que o programa divino descortina para a Igreja. O futuro da Igreja é fulgurante e devemos viver motivado por essa esperança revelada na Palavra de Deus. Devemos esperar com paciência a concretização do programa de Deus, pois quem prometeu é fiel e cumprirá a sua palavra.
 
Eudes Lopes Cavalcanti