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Crescimento de Igreja, uma visão equivocada

 

Infelizmente muitos crentes em nosso Senhor Jesus Cristo estão tendo uma visão equivocada do ministério pastoral, achando que ao Pastor deve ser creditado ou debitado exclusivamente o sucesso ou o insucesso (?) do seu trabalho. E geralmente esse equívoco é extraído do crescimento, estagnação ou decréscimo de um determinado grupo eclesiástico que está sob sua liderança. O pior ainda, em nossa opinião, é quando os próprios pastores começam a se “medir” uns aos outros sempre levando em consideração o critério numérico de seus rebanhos. Sabe-se de uma determinada Denominação que a sua liderança maior quis fazer uma auditoria em uma Igreja para investigar o ministério pastoral dela em virtude da mesma não está crescendo depois de alguns anos sob a liderança daquele pastor que era considerado extremamente limitado. (“por ironia do destino” (?), com esse mesmo pastor, com as suas limitações a igreja que dirigia teve um crescimento significativo uns dez anos depois).

Será meus queridos que realmente à luz das Sagradas Escrituras essa visão está correta? Acreditamos que não. Vejamos alguns pontos que justificam a nossa assertiva:

1) O crescimento de um determinado trabalho não depende exclusivamente de sua liderança. “Eu plantei, Apolo regou, mas Deus deu o crescimento”, 1 Co 3.6. “Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que se compadece”, Rm 9.16. É verdade que existem algumas leis espirituais que quando seguidas podem facilitar o crescimento numérico de algum grupo evangélico – A lei da semeadura, a lei da consagração, a lei da fé, etc., mas o propósito de Deus sempre prevalecerá em qualquer atividade da Igreja. “E todos os dias acrescentava o Senhor à Igreja aqueles que se haviam de salvar”, At 2.47b. Se formos considerar apenas o resultado numérico de um ministério podemos concluir que o ministério pastoral/evangelístico de alguns servos de Deus foi um fiasco como, por exemplo, o ministério de Noé que só “conseguiu salvar a sua família” depois de cento e vinte anos de pregação do evangelho, e o de Jeremias que por quase cinqüenta anos pregou fielmente a palavra do Senhor e como resultado teve pouco frutos , inclusive tendo a sua mensagem contestada, o livro canônico que escreveu queimado pela liderança política e religiosa da época.

2) Existe uma distinção entre ministérios. Sabemos pelas Escrituras que alguns dons ministeriais promovem o crescimento numérico de uma Igreja - o ministério apostólico e o ministério do evangelista, Ef 4.11. Quanto ao ministério apostólico não estamos nos referindo aos apóstolos do contexto do início da Igreja que tinha um perfil bem definido conforme Atos 1.21,22 e sim aquelas pessoas que tem recebido de Deus a graça peculiar para abrir trabalhos sólidos e pungentes. No que se refere ao Evangelista estou me referindo aquele obreiro que foi dado a Igreja conforme o texto de Efésios 4.11, que tem paixão pelas almas perdidas e a mensagem preponderante do seu ministério é a pregação do evangelho em sua essência. Quanto aos outros dons do ministério de Cristo profetas, pastores e mestres nos dá a entender o texto sagrado que ao primeiro cabe a tarefa dada por Deus de exortar, consolar e edificar a Igreja, conforme o texto de Paulo aos Coríntios 14.3. Aos pastores mestres a eficácia do ministério deles é de presidir a Igreja (1 Tm 5.17), e alimentar o rebanho de Deus que está a sua responsabilidade (At 20.28; 1 Pe 5.1-4). Felizes são as Igrejas quem tem pessoas com esses ministérios dentro delas.

3) Uma maior ou menor concentração de eleitos numa determinada área, numa geração. Sabemos pelas Escrituras que a Igreja de Cristo é composta dos eleitos por Deus desde a eternidade, Ef 1.4, 5, 11; Rm 8.28-30;... No livro de Atos encontramos que uma obra evangelística teve muito sucesso numérico porque havia uma concentração muito grande de eleitos quando da pregação do evangelho naquela oportunidade. “E creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna”, At 13.48. Em certo momento de seu ministério apostólico Paulo recebeu a orientação de Deus para que não se calasse, mas continuasse pregando o evangelho porque tinha muitas pessoas na cidade aonde se encontrava. (At 18.9-11). Ainda fazendo referência a Atos dos Apóstolos vemos que numa só pregação em Jerusalém no dia de Pentecostes quase três mil almas foram salvas. A cidade de Nínive foi toda convertida com a pregação do profeta Jonas que não pregou a mensagem com amor nem esperança de que Deus iria fazer uma obra poderosa nela, aliás, a postura do pregador e a sua pregação, com certeza, não seria um padrão de Homilética para os pregadores da Palavra do Senhor. Numa outra oportunidade a cidade de Nínive foi totalmente destruída pelos babilônios sem notícias da conversão de alguém. (Na 1;2;3). Já citamos o caso de Noé que passou cento e vinte anos pregando e só a sua família foi salva (Gn 6.3; 7.7; 2 Pe 2.5).

4) A Expectativa de Deus em relação a quem recebeu Dele um ministério – Deus não mandou que convertêssemos o mundo e sim que pregássemos o Evangelho para testemunho de todas as nações, At 1.8; Mt 24.14. Escrevendo aos Coríntios (1 Co 4.1,2), Paulo disse que Deus requer de cada despenseiro, que se ache fiel. A expectativa de Deus em relação aos pastores e obreiros em geral é que cada um exerça o seu ministério com fidelidade.

Concluímos esse artigo reafirmando que se equivocam, grosseiramente, aqueles que acham que só depende do ser humano, de seus esforços, de suas habilidades, de sua oratória, de sua capacidade de liderança o desenvolvimento de qualquer projeto, mormente esse de crescimento de Igreja. Lembremo-nos da soberania de Deus, do seu propósito eterno e de nossa dependência total dEle. “Sem mim nada podeis fazer”, Jo. 15.5. A glória é dEle.

Pr. Eudes Lopes Cavalcanti