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Eu Presbítero como eles

 

Servimo-nos da presente para falar ao coração dos presbíteros das Igrejas Congregacionais da ALIANÇA e trazer-lhes informações importantes sobre esse precioso ministério dentro da Igreja local.
Sentimo-nos confortáveis em fazer isto, tendo em vista já termos sido presbítero da 1ª IEC de João Pessoa durante mais de dez anos. Temos tomado conhecimento, extra oficialmente, de tensões existentes dentro das Igrejas entre esse ministério e o ministério pastoral. Por conhecermos os dois lados (presbítero e pastor) é que nos dirigimos com muito respeito a essa liderança por entendermos que a maioria dos pontos de tensões é gerada por falta de conhecimento do papel do presbítero dentro da Igreja (é verdade que em alguns casos os problemas são causados por dureza de coração, altivez de espírito, e desejo humano de querer dominar, controlar o ministério pastoral, ...)
Comecemos com o papel do presbítero numa Igreja. O presbítero é uma categoria de oficiais instituída por Deus dentro da Igreja (Atos 14.23; Tt 1.5). O nome presbítero é de origem grega e traz consigo a idéia da função de supervisão da congregação. Esse nome é o mesmo que ancião e bispo. A função de pastoreio (Atos 20.17, 28; 1 Pe 5.1-4), que é a de cuidar do rebanho de Deus, foi posta também sob a responsabilidade dessa categoria de oficiais. Portanto é de responsabilidade do presbítero visitar os irmãos, orar com eles e por eles, supervisionar o bom funcionamento da Igreja, entre outras coisas. O presbítero deve compreender que existem outros ofícios dentro da Igreja instituídos por Deus como, por exemplo, o pastoral e o diaconal. Deve entender ainda que o ministério pastoral foi instituído por Deus dentro da Igreja. O pastor, que é também um presbítero (docente), é uma dádiva de Deus a Igreja (Jr 3.15; Ef 4.11) para apascentá-la, cuidar dela, auxiliado pelos presbíteros. Ao pastor cabe, nessa área, a liderança maior da Igreja. Ele é o anjo da Igreja designado por Deus para cuidar em todas as áreas da vida da Igreja e por ela prestará contas a Deus (Veja apocalipse 2.1,8,12,18; 3.1,7,14). Pastores e presbíteros são os responsáveis diretos diante do Senhor da Igreja pela vida espiritual da mesma. Deus na sua sapiência infinita entregou o governo espiritual da Igreja ao pastor auxiliado pelos presbíteros. Quanto ao relacionamento entre esses dois ofícios, ambos, devem entender que estão cuidando das coisas de Deus. A Igreja local não é propriedade de um pastor e muito menos de seus presbíteros. Ao primeiro cabe liderar, como dissemos, e aos outros auxiliá-lo nesse glorioso ministério de pastoreio do rebanho de Deus. Essas duas categorias estão no mesmo “barco”, trabalhando com o mesmo objetivo: progresso da Igreja e a glória de Deus. Devem trabalhar unidos, com humildade, orientados por Deus. O pastor não deve “torpedear” o presbítero nem o presbítero deve dificultar o ministério pastoral; ambos devem trabalhar em harmonia para a glória de Deus. Ambos são servos e não senhores. Ambos têm um Senhor nos céus, a quem pertencem e a quem prestarão contas (1 Pe 5.1-4), ambos são responsáveis pela Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo.
Queremos lembrar aos presbíteros que eles são falhos, pois são humanos. Sabemos de presbíteros que se arvoram no direito de serem fiscais de pastores, que “pegam” constantemente “no pé” do pastor, que são críticos mordazes do pastor, que “medem” o pastor e o censuram constantemente. Sabemos também de pastores que não gostam de presbíteros, não os prestigiam, torpedeiam o seu ministério e alguns os chamam até de “presbichos”. Isto, na nossa opinião, é um desvirtuamento desses ofícios tão preciosos na vida da Igreja e principalmente do ministério pastoral, pois Deus não os designou para isso. Nada impede que se o pastor “pisar na bola” seja aconselhado pelos presbíteros como também nada impede que o presbítero que falhar seja aconselhado pelo pastor. Isso faz parte da vida da Igreja. Mas esses ofícios se digladiando dentro da Igreja é um desastre para ela, é uma obra do diabo para desestabilizar o trabalho do Senhor.
Lembremo-nos também de que fazemos parte de uma Igreja Congregacional, onde o processo decisório passa necessariamente pela sua assembléia de membros, que é o árbitro maior dentro dela. Lembremo-nos também que o poder executivo da Igreja está diluído em sua estrutura organizacional, sob a liderança geral do pastor. Dentro dessa estrutura os ministérios da Igreja (pastor, presbítero e diácono) fluem, expressam-se para a glória de Deus.
Terminamos deixando um abraço fraternal para todos.